Incerteza de medição na ISO/IEC 17025: o caminho do GUM

Incerteza de medição na ISO 17025: o que você precisa saber

Incerteza de medição é o parâmetro que quantifica a dúvida que ainda existe sobre o valor de um resultado. A ISO/IEC 17025 exige, no item 7.6, que o laboratório identifique as contribuições para a incerteza e a estime. O método clássico é o do GUM, em cinco etapas: definir o mensurando e o modelo, identificar as fontes, quantificar cada contribuição, combiná-las e expandir pelo fator k.

Poucos temas geram tantas dúvidas na acreditação quanto a incerteza de medição. Mas o conceito é mais simples do que parece — e dominá-lo é essencial para atender à ISO/IEC 17025.

Os cinco passos do GUM para estimar a incerteza de medição na ISO/IEC 17025
Os cinco passos do GUM para estimar a incerteza de medição, do mensurando à incerteza expandida.

O que é incerteza de medição

Nenhuma medição é perfeita. A incerteza de medição é o parâmetro que quantifica a dúvida que ainda existe sobre o valor de um resultado. Em vez de dizer apenas o resultado é 10,0, você passa a dizer o resultado é 10,0 ± 0,2, com um nível de confiança de 95%. Essa faixa expressa, de forma honesta, a qualidade da medição.

Não confunda incerteza com erro. Erro é a diferença em relação ao valor verdadeiro, que nunca conhecemos exatamente. Incerteza é a dispersão dos valores que poderiam razoavelmente ser atribuídos ao mensurando.

Por que a ISO/IEC 17025 exige

A norma, no item 7.6, determina que o laboratório identifique as contribuições para a incerteza e a estime para suas medições. Sem incerteza, um resultado é apenas um número: não dá para saber se ele atende a uma especificação, nem comparar resultados de laboratórios diferentes. A incerteza é o que torna o resultado interpretável e rastreável.

Como estimar — o caminho do GUM

A referência mundial é o GUM (Guia para a Expressão da Incerteza de Medição, ISO/IEC Guide 98-3 / JCGM 100). O método clássico segue estes passos:

  1. Defina o mensurando e o modelo matemático da medição — a equação que liga as grandezas de entrada ao resultado.
  2. Identifique as fontes de incerteza: calibração de padrões, repetitividade, resolução, condições ambientais, operador, método, amostragem, deriva.
  3. Quantifique cada contribuição como incerteza-padrão. As do Tipo A vêm de análise estatística de medições repetidas; as do Tipo B, de certificados, especificações e julgamento técnico.
  4. Combine as contribuições pela lei de propagação de incertezas, para obter a incerteza-padrão combinada.
  5. Expanda multiplicando pelo fator de abrangência k — tipicamente k = 2 para cerca de 95% de confiança — chegando à incerteza expandida U.

Regra de ouro: a incerteza só é confiável quando todas as fontes relevantes foram consideradas — inclusive as que o laboratório prefere esquecer.

E na hora de declarar conformidade

Quando o laboratório informa se um resultado passa ou reprova em relação a um limite, a incerteza precisa ser considerada na regra de decisão (item 7.8 da norma). Isso evita aprovar — ou reprovar — indevidamente resultados que caem na zona de dúvida ao redor do limite.

Estimar incerteza é uma competência que se aprende e se sistematiza. A Baroni apoia o seu laboratório a construir planilhas e procedimentos de incerteza robustos, prontos para a avaliação da Cgcre.

Leia também

Revisado em agosto de 2026 por Dra. Alessandra Baroni, avaliadora líder e técnica da Cgcre/Inmetro.

Rolar para cima